Programa para 18 meses das Presidências Alemã, Portuguesa e Eslovena

 

Programa para 18 meses aprovado pelo Conselho Assuntos Gerais e Relações Externas de 11 de Dezembro de 2006, na versão alterada para ter em conta as observações das delegações e os resultados dos trabalhos do Conselho Europeu de 14/15 de Dezembro de 2006.

 

 

 

ÍNDICE

INTRODUÇÃO

 

I.   ENQUADRAMENTO ESTRATÉGICO

 

II.    PRIORIDADES

Futuro da UniãA Estratégia de Lisboa: assegurar a sua implementação completa, nas suas dimensões económica, social e ambiental

Consolidar o espaço de liberdade, segurança e justiça

Reforçar o papel da UE no plano externo nas áreas da segurança, do desenvolvimento e das relações económicas

II. PROGRAMA GLOBAL

III.                

DESENVOLVIMENTO DA UNIÃO

Tratado Constitucional

Alargamento

Espaço Schengen

Alargamento da zona euro

 

CONTEXTO ECONÓMICO GERAL/COORDENAÇÃO DE POLÍTICAS

Melhor coordenação das políticas económicas

Qualidade das finanças públicas

Pacto de Estabilidade e Crescimento

 

CRESCIMENTO E EMPREGO

Implementação dos Programas Nacionais de Reforma

O novo ciclo de três anos da Estratégia de Lisboa (2008­‑2010)

 

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Estratégia de Desenvolvimento Sustentável

Livro Verde sobre Política Marítima

 

INVESTIGAÇÃO, CONHECIMENTO E INOVAÇÃO

Investigação

Inovação

Educação

Telecomunicações e Sociedade da Informação

 

COMPETITIVIDADE

Mercado Interno

Legislar melhor

Estatísticas

Política de concorrência

Política industrial

PME

Serviços Financeiros

Fiscalidade

Direito das sociedades

Alfândegas

Turismo

 

TRANSPORTES

Transportes marítimos e navegação interior

Transportes terrestres

Aviação

Questões horizontais

Questões intermodais

 

EMPREGO

Emprego

Direito do trabalho

 

POLÍTICA SOCIAL, SAÚDE E CONSUMIDORES

Política social

Juventude

Alterações demográficas

Saúde

Consumidores

Cultura e audiovisual

Desporto

 

IGUALDADE ENTRE OS GÉNEROS

POLÍTICA ESTRUTURAL E DE COESÃO

POLÍTICA AGRÍCOLA COMUM / PESCAS

Agricultura

Pescas

 

AMBIENTE

Alterações climáticas

Biodiversidade

Tecnologias ambientais

Governação ambiental internacional

 

ESPAÇO DE LIBERDADE, SEGURANÇA E JUSTIÇA

Asilo, migração, política de vistos e fronteiras

Luta contra o tráfico de seres humanos

Integração e diálogo intercultural

Intercâmbio de informações

Luta contra o terrorismo

Luta contra a droga

Cooperação no domínio da aplicação da lei

Cooperação policial e aduaneira

Consolidação dos direitos civis

Maior segurança jurídica para os cidadãos e o sector empresarial

Reforço do sistema judicial e da cooperação prática

Relações externas

Protecção civil

 


RELAÇÕES EXTERNAS

PESD/Gestão de crises

Luta contra o terrorismo

Não­‑proliferação e desarmamento

Alargar o espaço de paz e segurança

Balcãs OcidentaisA política de vizinhança e o Processo de Barcelona

Médio Oriente

Iraque

Irão

Afeganistão

Coreia do Norte

 

Relações com parceiros e regiões estratégicos

Relações transatlânticas

Rússia

Ásia Central

Ásia  

Países do Golfo

África

América Latina

Cooperação multilateral

Direitos Humanos

Comércio

Política de desenvolvimento

 

 


 

 

 

INTRODUÇÃO

 

O presente documento apresenta o programa combinado das Presidências Alemã, Portuguesa e Eslovena, cobrindo o período que vai de Janeiro de 2007 a Junho de 2008. O documento subdivide­‑se em três partes. A primeira parte apresenta o enquadramento estratégico do programa, inserindo­‑o num contexto mais vasto e, especificamente, na perspectiva dos objectivos a mais longo prazo que terão o seu prolongamento nas três Presidências seguintes. [Por esta razão, e em conformidade com o Regulamento Interno do Conselho revisto, as futuras Presidências Francesa, Checa e Sueca foram consultadas sobre esta secção]. A segunda parte contém uma lista de prioridades específicas das três Presidências em cada área das políticas, e a terceira parte apresenta um programa global em que se enunciam as questões que se espera sejam tratadas durante o referido período de 18 meses.

 

As três Presidências colaborarão estreitamente entre si tendo em vista atingir o melhor possível os objectivos enunciados no programa. Para o efeito, cooperarão igualmente com as outras Instituições da União Europeia e em especial com a Comissão e o Parlamento Europeu, na base das suas competências respectivas.


I.ª PARTE

 

ENQUADRAMENTO ESTRATÉGICO

 

O Conselho Europeu, reunido em Junho de 2006, aprovou uma abordagem em duas vertentes para o desenvolvimento da União. Essa abordagem irá continuar a nortear as futuras Presidências na sua estratégia global. A União deve assim estar preparada para fazer frente aos numerosos desafios, actuais e futuros, com que a Europa vai defrontar­‑se durante os próximos anos, e para lhes dar resposta obtendo os resultados concretos que os cidadãos esperam. Ao mesmo tempo, deve levar por diante o processo de reforma por forma a garantir à União alargada a capacidade de funcionar eficazmente.

 

Em Março de 2007, a União comemorará em Berlim o 50.º aniversário do Tratado de Roma. Essa comemoração proporcionará aos dirigentes da UE a oportunidade de reafirmarem o seu empenhamento nos valores e ambições da Europa e de confirmarem o seu compromisso comum de os concretizar.

 

A Presidência apresentará ao Conselho Europeu de Junho de 2007 um relatório que incluirá uma avaliação dos debates sobre o Tratado Constitucional e explorará possíveis desenvolvimentos futuros, indicando além disso o modo como os trabalhos poderão prosseguir.

 

O relatório será em seguida analisado pelo Conselho Europeu. O resultado dessa análise servirá de base para as ulteriores decisões sobre a forma de dar seguimento ao processo de reforma. As futuras Presidências estão empenhadas em garantir que as medidas necessárias para este efeito sejam tomadas o mais tardar no segundo semestre de 2008, conforme acordado pelo Conselho Europeu. A importância deste aspecto prende­‑se também com a necessidade de preparar as eleições para o Parlamento Europeu, bem como de lançar as bases do mandato da Comissão em 2009.


O alargamento trouxe benefícios consideráveis, graças à sua contribuição para a paz, a estabilidade e a prosperidade na Europa. Os próximos anos irão constituir uma oportunidade para consolidar a base da actual União de 25 (em breve 27) Estados­‑Membros. Para tal será necessário assegurar a plena integração da Bulgária e da Roménia nas estruturas da União e prosseguir os esforços para garantir a todos os novos Estados­‑Membros, no mais breve prazo possível, a possibilidade de fazer parte do espaço Schengen. Do mesmo modo, poder­‑se­‑á assistir nos próximos anos a um alargamento da zona euro, à medida que um número crescente de Estados­‑Membros for satisfazendo os critérios de convergência previstos nos Tratados.

 

As futuras Presidências trabalharão no sentido de fazer avançar as negociações de adesão já em curso, bem como para aprofundar os compromissos a uma escala mais vasta já assumidos pela União. Deverão ser envidados todos os esforços para proteger a coesão e a eficácia da União. Procurarão igualmente reforçar as relações da União com os países situados a Leste e a Sul das suas fronteiras, nomeadamente através do mecanismo da Política Europeia de Vizinhança.

 

As Presidências prosseguirão os seus esforços para reforçar a cooperação no quadro da Dimensão Setentrional, bem como a cooperação com os países da EFTA membros do Espaço Económico Europeu.

 

A Europa só pode fazer valer o seu peso se for economicamente forte. A Europa tem que recuperar o seu dinamismo económico para salvaguardar o crescimento e o emprego a longo prazo, tendo também em conta o contexto da globalização. Um elevado grau de coerência e de competitividade sustentáveis em toda a União Europeia será um importante factor para ajudar a garantir um crescimento económico continuado e mais e melhores empregos. As futuras Presidências atribuirão especial importância ao objectivo de responder melhor aos desafios da globalização, preservando ao mesmo tempo a dimensão social da União Europeia. A revisão do mercado interno assumirá um carácter prioritário. A Estratégia revista de Lisboa para o Crescimento e o Emprego tem uma agenda ambiciosa e abrangente, em que se incluem objectivos económicos, sociais e ambientais, tal como traduzidas nas Orientações Integradas, incluindo as Orientações Gerais das Políticas Económicas e as Orientações para o Emprego. O objectivo é explorar as sinergias e assegurar uma coerência geral entre diversos domínios políticos. O novo ciclo trienal da Estratégia de Lisboa terá início em 2008. Seguidamente, haverá que começar a ponderar o futuro da Estratégia para além de 2010.

 


O crescimento económico só pode gerar prosperidade a longo prazo se for sustentável. A Estratégia  renovada da UE para o Desenvolvimento Sustentável, aprovada em 2006, continuará a ser um elemento­‑chave para a futura definição de políticas. A Estratégia propriamente dita será acompanhada de perto durante todo este período e será objecto de um seguimento regular. Neste contexto, as futuras Presidências darão especial atenção às alterações climáticas e ao objectivo de travar a perda de biodiversidade até 2010.

 

Um importante aspecto da futura prosperidade e solidariedade da União é a utilização dos seus recursos financeiros. Esta vertente será objecto de uma revisão completa e abrangente, a cargo da Comissão, que cobrirá todos os aspectos das despesas da UE – incluindo as relativas à Política Agrícola Comum – e dos recursos da UE – incluindo o abatimento do Reino Unido, cujos resultados serão apresentados em 2008/2009. Esta revisão constituirá a base para as decisões do Conselho Europeu.

 

As Presidências pretendem fazer avançar o processo de simplificação da legislação existente e promoverão esforços em prol de uma melhor regulamentação e da eliminação dos encargos administrativos desnecessários.

 

Ao longo dos próximos anos, a União irá cada vez mais confrontar­‑se com vários importantes desafios. O Conselho Europeu decidiu que irá estabelecer uma Política Energética para a Europa na Primavera de 2007. A implementação desta política constituirá uma prioridade para os próximos anos, o que exigirá um elevado grau de solidariedade entre os próprios Estados­‑Membros, bem como um elevado grau de responsabilidade por parte de cada Estado­‑Membro, de modo a que as políticas internas da União sejam coerentes e tenham efeitos concretos, e a União seja capaz de falar a uma só voz com os países parceiros estratégicos. Associada a esta questão está a das alterações climáticas, a respeito da qual os trabalhos prosseguirão no quadro da Convenção­‑Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas e respectivo Protocolo de Quioto com o objectivo de chegar a acordo sobre as medidas a tomar a partir de 2012.

 

O desafio demográfico é conhecido. Ao longo dos próximos anos, esta será uma questão crucial, a exigir uma acção em várias frentes. Trata­‑se de uma área na qual, independentemente da eventual acção a nível comunitário, os Estados­‑Membros podem aprender com a experiência uns dos outros. As futuras Presidências irão colaborar estreitamente entre si e com a Comissão para estudar a melhor forma de facilitar este processo.


As futuras Presidências concentrarão esforços no desenvolvimento do espaço de liberdade, segurança e justiça, em conformidade com o Programa da Haia e tendo em conta o balanço do plano de acção previsto para o final de 2006. Haverá que prestar especial atenção à questão das migrações e, nomeadamente, aos problemas da imigração ilegal e do tráfico de seres humanos. Esta questão irá provavelmente assumir uma importância cada vez maior para a União, com a tendência para o aumento da pressão migratória tanto do Sul como do Leste da Europa. Serão indispensáveis uma abordagem coerente e uma combinação de políticas que contribuam para atacar os problemas na origem, nomeadamente através do diálogo com os países de origem e os países vizinhos, mas também por meio de uma cooperação mais estreita no plano interno e de controlos mais rigorosos nas fronteiras da União. Estas políticas terão em conta os esforços em prol de uma abordagem coerente das migrações e da política de integração na União Europeia. A segurança interna da Europa será também um objectivo­‑chave para as futuras Presidências, que concentrarão esforços na intensificação e consolidação da luta contra o terrorismo e a criminalidade organizada.

 

As futuras Presidências consagrarão especial atenção à promoção do diálogo intercultural, de modo a promover a compreensão mútua entre pessoas de origens e culturas diferentes (em complementaridade com os eventos que terão lugar em 2008, ano do diálogo intercultural).

 

As futuras Presidências providenciarão por que a UE continue a trabalhar eficazmente em prol da paz e da estabilidade mundiais, em especial através da cooperação com a ONU. Para o efeito, a União aprofundará as suas relações externas com um vasto leque de países e organizações multilaterais. As futuras Presidências trabalharão no sentido de assegurar que esta rede de relações ganhe em vitalidade e pertinência, em especial no que diz respeito aos principais parceiros estratégicos, com os quais se realizam reuniões ao mais alto nível. Prosseguirá a acção tendente a assegurar uma utilização coerente e eficaz dos instrumentos externos ao dispor da União, o que contribuirá para garantir uma capacidade de resposta eficaz por parte da União em situações de prevenção de conflitos, gestão de crises e reabilitação pós­‑conflitos, de modo a assegurar a paz e a estabilidade. As futuras Presidências contribuirão também para reforçar a política para o desenvolvimento da União Europeia enquanto elemento essencial da sua futura acção externa globalmente considerada.

 

As futuras Presidências continuarão a apoiar um sistema regulamentado de comércio internacional e prosseguirão os trabalhos relativos à agenda da política comercial, pondo neste contexto a tónica na urgência de levar a bom termo as negociações da Agenda de Doha para o Desenvolvimento.


II.ª PARTE

 

PRIORIDADES

 

Futuro da União

 

1.      As três Presidências conferem especial prioridade ao processo de reforma da UE. A Presidência Alemã irá apresentar ao Conselho Europeu, no primeiro semestre de 2007, um relatório baseado em consultas alargadas junto dos Estados­‑Membros. Esse relatório deverá incluir uma avaliação dos debates sobre o Tratado Constitucional e explorar possíveis desenvolvimentos futuros. O relatório será posteriormente analisado pelo Conselho Europeu. O resultado dessa análise servirá de base para outras decisões sobre a forma de levar por diante o processo de reforma, partindo­‑se do princípio de que as medidas necessárias terão sido tomadas o mais tardar no segundo semestre de 2008.

 

2.      A acção na sequência do recente alargamento centrar­‑se­‑á em consolidar a base da actual União de 27 Estados­‑Membros, assegurando a plena integração da Bulgária e da Roménia nas estruturas da União. As três Presidências continuarão a trabalhar no sentido de preparar o terreno para que todos os novos Estados­‑Membros passem no mais breve prazo possível a fazer parte do espaço Schengen e para permitir um novo alargamento da zona euro, à medida que um número crescente de Estados­‑Membros for satisfazendo os critérios de convergência previstos nos tratados.

 

          As três Presidências envidarão esforços para fazer avançar as negociações de adesão já em curso, bem como para aprofundar os compromissos a uma escala mais vasta já assumidos pela União.

 

A Estratégia de Lisboa: assegurar a sua implementação completa, nas suas dimensões económica, social e ambiental

 

A implementação da Estratégia revista de Lisboa para o Crescimento e o Emprego é um elemento essencial para que a União possa reforçar a competitividade, a criação de empregos e o crescimento num ambiente são. As três Presidências irão trabalhar em prol deste objectivo.


3.      É necessário prosseguir os esforços para completar a realização do mercado interno, vertente­‑chave da implementação da Estratégia de Lisboa. A implementação integral dos Planos Nacionais de Reforma será também de importância crucial no contexto da Estratégia de Lisboa renovada. As três Presidências envidarão todos os esforços no sentido de adiantar ou concluir os trabalhos relativos a várias questões prioritárias, entre as quais se incluem o seguimento da Estratégia para o Mercado Interno no primeiro semestre de 2007 e a melhoria das condições de enquadramento para as empresas europeias, com particular destaque para as PME. Espera­‑se que a liberalização do mercado europeu dos serviços postais, a revisão do enquadramento jurídico europeu das telecomunicações e a implementação do Plano de Acção para os Serviços Financeiros estimulem a actividade económica nestas áreas específicas. Uma maior harmonização do direito das sociedades, o aperfeiçoamento do sistema europeu de patentes, a revisão global da legislação aduaneira comunitária através de um Código Aduaneiro modernizado, o trabalho preparatório em curso tendo em vista uma matéria colectável consolidada comum para a tributação das empresas, assim como a luta contra a fraude e a evasão fiscais serão outras questões importantes. Será também dada prioridade à "nova abordagem" no domínio da normalização técnica e ao reconhecimento mútuo, com base nas propostas da Comissão previstas para o final de 2006, à promoção dos agrupamentos de empresas e dos pólos de inovação, aos contratos públicos e ao seguimento da comunicação da Comissão sobre a administração em linha. As três Presidências estão determinadas em envidar todos os esforços para continuar a promover os interesses dos consumidores, para garantir um elevado nível de protecção dos consumidores e para reforçar a sua confiança.

 

4.      O objectivo global da política industrial da UE é reforçar a competitividade e a capacidade de inovação das empresas europeias e melhorar as condições de enquadramento para a produção industrial na UE, em especial no que diz respeito às PME. As três Presidências continuarão a implementar as iniciativas transsectoriais e sectoriais de política económica anunciadas na comunicação da Comissão de Outubro de 2005.

 

5.      No que diz respeito à vertente externa da competitividade, as três Presidências darão especial atenção aos contratos públicos, ao desenvolvimento de um quadro jurídico eficaz para a protecção dos direitos de propriedade intelectual e aos aspectos relacionados com o comércio, bem como à melhoria das condições de acesso aos mercados dos países terceiros.


6.      As três Presidências continuarão a promover políticas económicas e financeiras orientadas para o crescimento e a estabilidade. Para este efeito, as prioridades centrar­‑se­‑ão em assegurar a gestão eficiente e operante da política económica, continuando nomeadamente a aplicar o Pacto de Estabilidade e Crescimento de uma forma economicamente sã, com uma tónica acrescida na sustentabilidade a longo prazo das finanças públicas dos Estados­‑Membros, e melhorando a qualidade das finanças públicas.

 

7.      O desenvolvimento do modelo social europeu, a promoção da igualdade de oportunidades e de uma política europeia de integração transversal da igualdade entre os géneros, bem como a melhoria dos sistemas de educação e formação serão objectivos­‑chave. Nesta área, a tónica será colocada na resposta a dar ao desafio demográfico, na intensificação do diálogo social, na avaliação de impacto social e no desenvolvimento das normas sociais mínimas. A política de saúde desempenha um papel fundamental, atendendo a que uma melhor prevenção e melhores cuidados de saúde transfronteiras trazem benefícios directos aos cidadãos europeus. As três Presidências consideram o Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos (2007) como uma boa ocasião para pôr em evidência os progressos alcançados e o trabalho a realizar nesta área.

 

8.      No domínio do emprego, a avaliação do 10.º aniversário da Estratégia Europeia para o Emprego em 2007, assim como a revisão das Orientações para o Emprego em 2008, proporcionarão uma oportunidade para identificar os elementos tendo em vista a revisão da Estratégia para o Emprego.

 

9.      Uma melhor regulamentação e a eliminação dos encargos administrativos desnecessários constituirão uma prioridade transversal das três Presidências. Tomando como ponto de partida a iniciativa das seis Presidências anteriores, as futuras Presidências intensificarão os esforços nesta área, concentrando claramente os esforços na redução das formalidades e custos administrativos para as PME. O impulso a dar ao processo de simplificação da legislação existente e o recurso a avaliações de impacto abrangentes das novas propostas legislativas desempenharão neste contexto um papel fundamental. As três Presidências esperam que o balanço do sistema de avaliação do impacto e as propostas da Comissão no sentido de reduzir os encargos administrativos dêem um importante contributo para a realização de progressos significativos neste domínio.


10.    A segurança, a sustentabilidade e a competitividade do abastecimento energético figurarão entre as primeiras prioridades da agenda das três Presidências. O elemento fulcral da acção neste sector será a adopção e a implementação do Plano de Acção para a Energia, que abordará todos os aspectos destinados a garantir uma política energética virada para o futuro e conducente a um desenvolvimento sustentável: a continuação da liberalização dos mercados da energia, a redução da dependência em relação às importações e das emissões de gases com efeito de estufa através da melhoria da eficiência energética e do reforço do papel das energias renováveis, a diversificação das fontes e rotas de abastecimento de energia, bem como a intensificação e diversificação das relações externas no sector da energia.

 

11.    A promoção da investigação, do conhecimento e da inovação é essencial para promover o crescimento, a competitividade e a criação de emprego. As três Presidências bater­‑se­‑ão por uma Europa inovadora. A implementação do 7.º Programa­‑Quadro de Investigação e do Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida desempenhará neste contexto um papel fundamental. Será também prestada especial atenção à investigação fundamental no tocante à sua aplicação. A criação do Instituto Europeu de Tecnologia e a elaboração de uma política espacial europeia poderão contribuir para promover a tecnologia de ponta na UE. Entre as prioridades das três Presidências, são ainda de referir a promoção do papel das universidades nesta área e o aumento dos recursos humanos consagrados à ciência e à tecnologia, bem como o reforço da cooperação científica e tecnológica internacional.

 

12.    A protecção do ambiente será outra preocupação prioritária em cujo âmbito as três Presidências irão desenvolver consideráveis esforços para definir uma posição da UE tendo em vista, para o período posterior a 2012, um regime equilibrado e justo, consentâneo com o objectivo da UE de limitar o aumento da temperatura a 2 graus acima dos níveis pré­‑industriais. Neste contexto, serão da máxima importância a prossecução do Programa Europeu para as Alterações Climáticas e as suas medidas trans­‑sectoriais de contenção, bem como o regime de comércio de emissões. A protecção e a utilização sustentável da biodiversidade, tanto à luz da 9.ª Conferência das Partes na Convenção sobre a Diversidade Biológica como mediante a incorporação no mercado das decisões em matéria de biodiversidade ("empresas e biodiversidade") figurarão em lugar de destaque na agenda das Presidências. Outras prioridades importantes serão o seguimento do relatório da Comissão sobre a política da água, com especial incidência na escassez de água e na seca, e o aperfeiçoamento das políticas em matéria de qualidade do ar e de resíduos.


13.    As três Presidências consagrarão especial atenção ao desenvolvimento de uma política marítima integrada, vocacionada para reforçar as sinergias positivas entre os vários sectores em questão.

 

Consolidar o espaço de liberdade, segurança e justiça

 

14.    A política de asilo e migração merecerá especial prioridade durante este período. Para além do reforço da cooperação entre os serviços de asilo e da avaliação da primeira fase da legislação sobre asilo, as três Presidências implementarão a Abordagem Global das Migrações, em que se inclui o alargamento e aprofundamento do diálogo entre países de origem, de trânsito e de destino e a negociação de acordos de readmissão operantes, bem como o necessário seguimento do relatório da Comissão sobre a migração legal no âmbito de uma abordagem coerente das migrações e da política de integração na União Europeia.

 

15.    Será também conferido carácter prioritário à protecção efectiva das fronteiras externas da União por meio da implementação do SIS II e do alargamento do espaço Schengen, do reforço da FRONTEX e da implementação do Sistema de Informação sobre Vistos. As três Presidências continuarão a implementar os planos de acção no quadro da Estratégia Antiterrorista.

 

16.    Em matéria de cooperação policial, será dada grande prioridade ao reforço da Europol e ao desenvolvimento do sistema de informações da UE. Na luta contra a criminalidade organizada internacional, deverá pôr­‑se a tónica no tráfico de seres humanos. O trabalho no domínio da cooperação judiciária centrar­‑se­‑á na remoção de obstáculos às actividades transfronteiras e nos progressos que falta ainda efectuar em matéria de reconhecimento mútuo das decisões judiciais. Constituirá especial prioridade o desenvolvimento de uma Política Europeia de Protecção Civil, no respeito pelas responsabilidades dos Estados­‑Membros. Serão também desenvolvidos e reforçados os aspectos de relações externas da Justiça e Assuntos Internos.


Reforçar o papel da UE no plano externo nas áreas da segurança, do desenvolvimento e das relações económicas

 

17.    As três Presidências continuarão a trabalhar no sentido do desenvolvimento de um espaço europeu de segurança e estabilidade.

 

          Continuarão a desenvolver a perspectiva europeia dos países dos Balcãs Ocidentais, nomeadamente através de um aprofundamento do Processo de Estabilização e de Associação.

 

          Serão também reforçadas as relações com os vizinhos da União a Leste e a Sul, mediante um reforço dos mecanismos da PEV  e do desenvolvimento da cooperação nos domínios económico, cultural e social com os parceiros do Processo de Barcelona.

 

          Continuarão a ser envidados esforços para ajudar a resolver a crise do Médio Oriente.

 

          O reforço da parceria estratégica com a Rússia constituirá uma prioridade para as três Presidências, assim como as diligências para intensificar as relações com a Ásia Central.

 

18.    A PESD continuará a desenvolver­‑se através da prossecução dos trabalhos em matéria de capacidades civis e militares e de uma coordenação civilo­‑militar eficaz.

 

19.    As três Presidências atribuem especial importância ao reforço das relações transatlânticas, e bem assim com outros parceiros estratégicos como o Japão, a China, a Índia e a ASEAN. Prepararão a 2.ª Cimeira UE‑África, que deverá realizar­‑se durante a Presidência Portuguesa, com o objectivo de desenvolver as relações com África. Organizarão também uma Cimeira UE‑América Latina e Caraíbas, durante a Presidência Eslovena.


20.    Prioridade essencial será o reforço das relações comerciais à luz dos resultados do Ciclo de Doha e a prossecução do trabalho de integração dos países ACP na economia mundial. A conclusão de acordos de parceria económica enquanto instrumentos impulsionadores do desenvolvimento ocupará na agenda um lugar de destaque.

 

          O trabalho centrar­‑se­‑á também no reforço da coerência das políticas a favor do desenvolvimento. Continuarão a ser envidados esforços para conseguir uma melhor complementaridade entre doadores.

 

21.    As futuras Presidências trabalharão para melhorar a cooperação entre a UE e as organizações internacionais, em especial a ONU e a OTAN.


III.ª PARTE

 

PROGRAMA GLOBAL

 

DESENVOLVIMENTO DA UNIÃO

 

Tratado Constitucional

1.      As três Presidências irão dar continuidade à abordagem em duas vertentes aprovada no Conselho Europeu de Junho de 2006. Tal implica, por um lado, procurar explorar o melhor possível as possibilidades proporcionadas pelos actuais tratados por forma a obter os resultados concretos que os cidadãos esperam e, por outro lado, fazer avançar os trabalhos com base no mandato estabelecido pelo Conselho Europeu. Mais concretamente, a Presidência Alemã irá apresentar ao Conselho Europeu, no primeiro semestre de 2007, um relatório baseado em consultas alargadas junto dos Estados­‑Membros, que deverá incluir uma avaliação dos debates sobre o Tratado Constitucional e explorar possíveis desenvolvimentos futuros. O relatório será posteriormente analisado pelo Conselho Europeu. O resultado dessa análise servirá de base para as futuras decisões sobre a forma de levar por diante o processo de reforma. As Presidências Portuguesa e Eslovena assumirão as suas responsabilidades neste contexto,  partindo­‑se do princípio de que as medidas necessárias terão sido tomadas o mais tardar no segundo semestre de 2008.

 

2.      Em Março de 2007, a União comemorará em 50.º aniversário do Tratado de Roma. Essa comemoração proporcionará aos dirigentes da UE a oportunidade de reafirmarem o seu empenhamento nos valores e ambições da Europa e de confirmarem o seu compromisso comum de os concretizar.

 

Alargamento

3.      As três Presidências empenhar­‑se­‑ão em assegurar a plena integração da Bulgária e da Roménia nas estruturas da União a partir da data da sua adesão.

 


4.      As três presidências prosseguirão o processo de alargamento em consonância com a estratégia de alargamento decidida pelo Conselho Europeu de 14/15 de Dezembro.

 

5.      Os compromissos assumidos pela União relativamente ao processo de alargamento serão plenamente respeitados. Prosseguirão, em particular, as negociações com a Turquia e a Croácia, em conformidade com as disposições constantes dos quadros de negociação e com as conclusões do Conselho de 11 de Dezembro de 2006. As Presidências providenciarão por que os progressos em todas as áreas sejam acompanhados de perto, em especial no que diz respeito ao cumprimento dos critérios de Copenhaga.

 

6.      Serão atentamente acompanhados os progressos da Antiga República Jugoslava da Macedónia na observância dos diversos compromissos e condições necessários para a abertura de negociações de adesão. A decisão de encetar negociações dependerá dos resultados deste processo, que será apoiado pela União Europeia.

 

Espaço Schengen

7.      As três Presidências continuarão também a trabalhar no sentido de preparar o terreno para que todos os novos Estados­‑Membros passem no mais breve prazo possível a fazer parte do espaço Schengen.

 

Alargamento da zona euro

8.      A Eslovénia entra na zona euro em 1 de Janeiro de 2007. Subsequentemente, alguns Estados­‑Membros poderão solicitar a adesão ao Mecanismo Europeu de Taxas de Câmbio II, ao passo que outros poderão satisfazer os requisitos para a adopção do euro. As três Presidências assegurarão uma avaliação aprofundada de quaisquer casos desta natureza e, em particular, de todos os relatórios sobre a convergência apresentados pela Comissão e pelo Banco Central Europeu com base nos critérios definidos no Tratado que institui a Comunidade Europeia, incluindo os critérios respeitantes à estabilidade da evolução macroeconómica e a um grau elevado de convergência sustentável.


CONTEXTO ECONÓMICO GERAL/COORDENAÇÃO DE POLÍTICAS

 

Melhor coordenação das políticas económicas

9.      Para uma coordenação eficaz das políticas orçamentais e económicas dos Estados­‑Membros são essenciais processos multilaterais de supervisão operantes e bem estruturados. As três Presidências procurarão por conseguinte simplificar tanto a supervisão orçamental como a avaliação dos programas de estabilidade e convergência. A par de Orientações Gerais das Políticas Económicas eficazes, incluindo recomendações específicas por país, estes instrumentos de orientação devem visar a promoção de uma evolução económica estável em todos os Estados­‑Membros e a obtenção de um elevado grau de coerência, em especial nos Estados­‑Membros da zona euro. Neste contexto, continua a assumir grande importância a qualidade das estatísticas.

 

Qualidade das finanças públicas

10.    As três Presidências pretendem também abrir caminho a uma melhoria qualitativa das finanças públicas. A globalização e a evolução demográfica obrigam os Estados­‑Membros e a União no seu conjunto a repensar a utilização dos dinheiros públicos e a melhor forma de conseguir uma sustentabilidade económica e orçamental a longo prazo. A qualidade das finanças públicas na definição das políticas nacionais e da UE é um elemento­‑chave para estimular o crescimento e o emprego em conformidade com a Estratégia de Lisboa. As três Presidências irão pois promover um debate sobre a despesa pública, com vista a incentivar a educação, a inovação e a produtividade. Para o efeito, procurarão fomentar um intercâmbio de informação e identificar boas práticas, nomeadamente em matéria de aferição da eficiência da despesa pública. Neste contexto, as Presidências explorarão também as possibilidades de uma maior modernização da administração pública de modo a fomentar a solidez do desempenho económico, a disciplina orçamental e uma correcta gestão financeira nos Estados­‑Membros e na União Europeia.

 

Pacto de Estabilidade e Crescimento

11.    As três Presidências assegurarão também que o Pacto de Estabilidade e Crescimento continue a ser aplicado de uma forma economicamente sã, tanto no que diz respeito aos procedimentos relativos aos défices excessivos como na área da prevenção dos défices, com uma tónica acrescida na sustentabilidade de longo prazo das finanças públicas dos Estados­‑Membros.


CRESCIMENTO E EMPREGO

 

Implementação dos Programas Nacionais de Reforma

12.    Em Março de 2005, o Conselho Europeu dinamizou a Estratégia de Lisboa fixando as suas prioridades tendo em vista a promoção do crescimento sustentável e do emprego a fim de enfrentar os desafios decorrentes do envelhecimento da população e do ritmo rápido da globalização. Para garantir um elevado nível de compromisso, a apropriação nacional tornou­‑se o elemento principal do novo processo de governação. Esta apropriação assume a forma material dos Programas Nacionais de Reforma apresentados pelos Estados­‑Membros.

          Em 2007 terminará o primeiro ciclo de governação da Estratégia de Lisboa revista. Os segundos relatórios de implementação dos Estados­‑Membros relativos aos seus Programas Nacionais de Reforma deverão ser apresentados no Outono de 2007. Visto que estes relatórios serão fundamentais para actualizar as Orientações Gerais das Políticas Económicas e as Orientações para o Emprego, e para definir as recomendações específicas por país, as três Presidências prepararão o Conselho para as avaliar eficientemente e para elaborar conclusões a adoptar no Conselho Europeu da Primavera de 2008.

 

O novo ciclo de três anos da Estratégia de Lisboa (2008­‑2010)

13.    O novo ciclo terá início em Janeiro de 2008, com a apresentação pela Comissão do seu Relatório Estratégico. Este relatório será analisado pelas formações pertinentes do Conselho e debatido pelo Conselho Europeu da Primavera de 2008, tendo em conta a avaliação da implementação dos Programas Nacionais de Reforma e as conclusões horizontais. Com base numa proposta da Comissão, as Orientações Integradas para o novo ciclo, incluindo as recomendações específicas por país, serão assim formalmente adoptadas em Junho de 2008.

 

          As três Presidências procurarão promover as iniciativas apropriadas a fim de contribuir para a avaliação e a preparação da revisão da Estratégia de Lisboa renovada e de cooperar estreitamente no sentido de assegurar uma transição harmoniosa do primeiro para o segundo ciclo.


DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

 

Estratégia de Desenvolvimento Sustentável

14.    O Conselho acompanhará de perto a implementação da Estratégia de Desenvolvimento Sustentável (EDS) da UE, tal como foi renovada em 2006. Em conformidade com o novo ciclo de governação, a Comissão apresentará o seu primeiro relatório intercalar sobre a EDS, incluindo as futuras prioridades e acções, com base num conjunto de indicadores de desenvolvimento sustentável, no Outono de 2007. As Presidências assegurarão debates exaustivos no Conselho relativamente aos progressos realizados, com base nos quais o Conselho Europeu fornecerá em Dezembro de 2007 orientações gerais sobre políticas, estratégias e instrumentos para o desenvolvimento sustentável, tendo em conta as prioridades e as sinergias, nomeadamente no contexto da Estratégia de Lisboa para o crescimento e o emprego.

          A nível global, continuarão em particular os trabalhos no contexto da preparação da posição da UE para as reuniões da Comissão do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

 

Livro Verde sobre Política Marítima

15.    Com base nos trabalhos conduzidos pela Presidência Finlandesa, as três Presidências assegurarão um debate alargado sobre o Livro Verde e sobre as propostas resultantes do processo de consulta que se espera que a Comissão apresente no Outono de 2007. Serão contributos importantes para o processo de consulta e os processos daí decorrentes as conferências de alto nível a organizar em Maio e Outubro de 2007. Estas conferências inscrever­‑se­‑ão plenamente no objectivo de desenvolver uma política marítima integrada sobre os diferentes níveis de acção, que abranja todas as actividades económicas baseadas no mar, promova o conhecimento científico, o crescimento e o emprego e, tendo em conta uma abordagem ecossistémica, estabeleça um equilíbrio correcto entre os aspectos económicos, ambientais e sociais.


INVESTIGAÇÃO, CONHECIMENTO E INOVAÇÃO

 

Investigação

16.    As três Presidências atribuem grande importância às actividades de investigação, que são um elemento chave para assegurar a competitividade da UE. Serão assim prioritariamente garantidos o início atempado e a implementação correcta do 7.º Programa­‑Quadro de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico, bem como o lançamento das actividades do Conselho Europeu de Investigação. Serão organizados no primeiro semestre de 2007 os eventos inaugurais para o 7.º PQ e para o Conselho Europeu de Investigação, bem como conferências especializadas sobre temas específicos do novo PQ (nanotecnologia, sustentabilidade, biotecnologia, infra­‑estrutura de investigação, investigação sobre segurança, ciências sociais e humanas). As Presidências prestarão a devida atenção aos trabalhos directamente ou indirectamente ligados ao Programa­‑Quadro, tais como as análises de resultados obtidos pela implementação do 6.º Programa­‑Quadro, a análise dos progressos do 7.º PQ no seu primeiro ano de imple